- Evidenciador ,
- 09 out 2026
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou ter participado de um esquema de pagamentos envolvendo integrantes do PT para obter acesso a recursos de fundos de pensão de empresas estatais. Segundo reportagem publicada pela revista Veja, nesta sexta-feira (9), o empresário relatou ter destinado R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula, supostamente para financiar um documentário sobre o presidente.
As informações constam de um áudio e de documentos obtidos pela revista, que teriam sido apresentados por Vorcaro durante suas tentativas de firmar um acordo de colaboração com as autoridades. O banqueiro também atribuiu a integrantes do governo federal participação nas articulações para permitir que o Master recebesse investimentos de fundos de previdência.
As declarações são alegações do próprio Vorcaro e não constituem comprovação dos pagamentos ou da participação dos agentes públicos citados. Segundo a Veja, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não deu andamento ao relato apresentado pelo empresário.
O presidente Lula negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras do banqueiro. O ministro Alexandre Padilha, também mencionado na reportagem, negou qualquer relação com Vorcaro.
De acordo com a publicação, Vorcaro afirmou que as negociações começaram por intermédio de Augusto Lima, então seu sócio e executivo do Banco Master. Lima teria estabelecido contato com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, após uma aproximação articulada por integrantes do partido na Bahia.
O banqueiro relatou que Vaccari teria exigido inicialmente o pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões para custear um documentário sobre Lula produzido no exterior. O valor, segundo sua versão, seria entregue em espécie ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto.
Além desse pagamento, Vaccari teria solicitado uma comissão de 10% sobre os recursos que o Master conseguisse captar junto a fundos de pensão como Previ, Petros e Postalis. A reportagem relaciona o suposto pagamento ao documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone, que contou com depoimentos de aliados do presidente.
Em um dos áudios obtidos pela VEJA, Vorcaro afirma: “Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele. É… O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… E aí tem o negócio do filme também. O cara pede para colocar dinheiro no filme do Lula.” Na mesma conversa, o empresário compara o suposto pagamento com os recursos que destinou ao documentário Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
“O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”, declarou, segundo a gravação reproduzida pela revista.
A reportagem também apresenta relatos de Vorcaro sobre a participação de pessoas ligadas ao ministro Alexandre Padilha, então responsável pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência.
Segundo o banqueiro, as negociações envolveram Olavo Noleto, à época secretário-executivo da pasta, e um operador identificado como Júlio, que teria intermediado contatos com dirigentes dos fundos de pensão.
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, de acordo com a VEJA, mostram que Júlio apresentou o empresário a Noleto. O banqueiro também afirmou ter participado de pelo menos dois jantares com Padilha enquanto tentava viabilizar os investimentos.
Em seu relato, Vorcaro disse que uma reunião realizada em sua residência tratou da cobrança de uma comissão de 10% para facilitar o ingresso do Banco Master nos fundos Previ, Petros e Postalis. A revista também descreve uma transferência de R$ 500 mil feita pelo banqueiro ao operador Júlio, apresentada nas conversas como um adiantamento do suposto pagamento exigido para a liberação dos negócios.
Em nota, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que em nenhuma hipótese e sob nenhum pretexto, jamais agiu ou autorizei que outros agissem em defesa dos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master. Segundo o ministro, ele pediu a Advocacia-Geral da União (AGU) que ingresse com as providências judiciais cabíveis para exigir direito de resposta às mentiras apresentadas.
“Também será solicitada perícia sobre a veracidade, autenticidade e integridade do áudio veiculado, uma vez que a Procuradoria-Geral da República já declarou, publicamente, que não foi realizado nem registrado depoimento oral de Vorcaro sobre esse tema justamente por conta da rejeição da delação por sua completa ausência de provas.”, diz a nota.
Segundo a reportagem, o Banco Master precisava integrar a chamada lista exaustiva, documento oficial que relaciona as instituições financeiras autorizadas a receber investimentos de fundos de previdência de estatais.
A inclusão ocorreu em 29 de abril de 2024. Em uma mensagem reproduzida pela VEJA, Augusto Lima comunicou a novidade a Vorcaro: “Entramos na lista exaustiva. Resolvido”. O banqueiro respondeu: “Você é foda”.
Apesar da autorização, Vorcaro afirmou que não conseguiu concretizar as operações pretendidas com os principais fundos federais. A reportagem relata que uma tentativa de captar R$ 500 milhões junto à Caixa Econômica Federal foi interrompida em julho de 2024, após a divulgação de informações sobre pareceres contrários à operação.
Segundo o empresário, o grupo continuou buscando investimentos em fundos municipais, mas as negociações com os fundos federais não avançaram.
A Veja também teve acesso a mensagens que sugerem tentativas de organizar uma reunião entre o presidente Lula e o banqueiro em outubro de 2024. Em uma delas, o operador Júlio escreveu: “Daniel, liga pro Olavo… O PR vai te receber…”.
Apesar dessas conversas, a própria reportagem ressalta que não há prova de que Lula tenha efetivamente se encontrado com Vorcaro naquela ocasião.
O único encontro confirmado no Palácio do Planalto, segundo a revista, ocorreu em 4 de dezembro de 2024, quando Vorcaro se reuniu com o então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, fora da agenda oficial. O assunto teria sido a situação do Banco Master junto ao Banco Central.
Procurado pela Veja, Lula afirmou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”. Olavo Noleto também negou ter mantido relação com o banqueiro ou recebido recursos dele. Padilha negou relação com Vorcaro.
Segundo a revista, as acusações foram apresentadas às autoridades durante as tentativas de colaboração do empresário. A PGR teria rejeitado uma das versões por considerar insuficientes as provas apresentadas, enquanto a defesa argumentou que existiriam mensagens, registros de entregas e outros elementos capazes de corroborar os relatos.
Vorcaro não conseguiu concluir seus acordos de colaboração anteriores e, segundo a publicação, trabalha em uma terceira proposta.
Até o momento, os elementos divulgados não demonstram que Lula tenha recebido os valores mencionados ou participado do suposto esquema.
Merece repúdio que um suposto depoimento e um áudio com indícios de fraude e manipulação de um criminoso confesso seja usado para tumultuar o processo eleitoral para que seu cúmplice, o candidato Flávio Bolsonaro, seja favorecido na falsa tentativa de legitimar R$ 65 milhões destinados supostamente ao filme em homenagem a um ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado e responsável por centenas de milhares de mortes na pandemia.
Em razão disso, pedi que a Advocacia-Geral da União (AGU) ingresse com as providências judiciais cabíveis para exigir direito de resposta às mentiras apresentadas. Também será solicitada perícia sobre a veracidade, autenticidade e integridade do áudio veiculado, uma vez que a Procuradoria-Geral da República já declarou, publicamente, que não foi realizado nem registrado depoimento oral de Vorcaro sobre esse tema justamente por conta da rejeição da delação por sua completa ausência de provas.
Em nenhuma hipótese e sob nenhum pretexto, jamais agi ou autorizei que outros agissem em defesa dos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master. O depoimento mentiroso do banqueiro é tão desprovido de qualquer comprovação que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República atestaram que os relatos trazem apenas informações desencontradas, sem provas e sem confissão de crime. Além de mentiroso, o enredo contado sequer tem sentido cronológico. A peça representa uma tentativa tosca de confundir a sociedade, com o objetivo descarado de minimizar a gravidade do repasse de recursos para a família Bolsonaro, a pretexto de financiar o filme Dark Horse. Assim como tenta reproduzir para o Presidente Lula o esquema operado por Flávio Bolsonaro: o financiamento supostamente direcionado a um filme e a um instituto.
Enquanto fui ministro de Relações Institucionais, fazia parte de minhas atribuições institucionais fazer interlocução com todos os setores da sociedade, inclusive do mercado financeiro e do setor produtivo. E o fiz sempre em absoluto respeito à lei e em defesa do povo brasileiro, como é a orientação do Presidente Lula. Prova desse compromisso é que foi no nosso governo que Vorcaro foi preso e o Banco Master, liquidado. Essa postura de rigor faz cair por terra qualquer acusação falaciosa de que tenha havido envolvimento e repasses de recursos para beneficiar a mim, ao Instituto Lula e ao filme do diretor Oliver Stone, que já rechaçou publicamente ter recebido qualquer tipo de verba de Daniel Vorcaro.