A pandemia do Coronavírus criou uma situação que muitos de nós nunca imaginamos passar. Os diversos profissionais e as suas áreas de atuação sofreram com as mudanças impostas para a prevenção de contaminação. Também foi necessária reorganização quanto a mudança de prioridades, redução de gastos e formato de trabalho.

A nova normalidade trouxe para os profissionais o desafio da adaptação e a reinvenção para continuarem firmes, sendo forçados a tirarem o plano B do bolso sem ter muita opção, como foi o caso do Fisioterapeuta Tiago Amorim (Crefito3/135568-F).

Tiago é fisioterapeuta há 12 anos, com especialização na Fisioterapia em Ortopedia, Traumatologia e Reumatologia, Fisioterapia Hospitalar; e está se especializando em Fisioterapia Cardiorrespiratória. Atualmente é responsável técnico na Dr. Tiago Amorim-Fisioterapia Domiciliar; responsável técnico do Setor de Fisioterapia da Santa Casa de Osvaldo Cruz e como fisioterapeuta coordenador da UTI COVID-19.

Tiago atende em domicílio na cidade de Osvaldo Cruz e região e estes atendimentos foram os mais afetados pela pandemia devido a sua cartela de pacientes, na maioria idosos. Ele teve que se adaptar, passou por algumas fases durantes esses meses e explicou como tudo aconteceu desde o início.

“Inicialmente optei por conversar com os familiares dos meus pacientes para explicar o que já havia estudado e acompanhado desde o início da COVID-19, lá na China. Então decidi a interrupção de todos os atendimentos após a orientação dos órgãos de saúde. Pensei no retrocesso e no quanto seria prejudicial os pacientes ficarem sem o atendimento. Com isso os familiares e até mesmo os pacientes começaram a entrar em contato comigo para que eu retornasse o mais rápido possível, pois as dificuldades começaram a surgir e foi aí que os atendimentos à domicílio começaram novamente. Com uma nova forma de atender e também uma nova postura diante da realidade atual”, conta o fisioterapeuta.

Ao voltar para os atendimentos na casa de seus pacientes, ele teve que obedecer às normas de higiene, que já eram obedecidas por ele desde 2012, afinal, está ligado à saúde na maior parte de seus dias. Entretanto, teve que se adaptar quanto ao contato físico, o ponto sensível e necessário na fisioterapia.

Entretanto, essa não foi a única readaptação pela qual Tiago passou. Na verdade, a pandemia trouxe para ele novas ideias e oportunidades, uma delas foi o “Fisio que Inspira”.

O projeto nasceu quando Tiago começou a gravar vídeos para as suas redes sociais com o intuito de dar dicas de saúde para quem estava em casa. Ele recebeu também a sugestão de duas pacientes que o inspiraram.

“Uma paciente de 85 anos que é apaixonada por redes sociais me sugeriu lives explicativas, para que eu pudesse falar sobre algumas patologias e formas de tratamento, foi aí que comecei a me preparar para realizar essas lives. Mas nesse ínterim uma outra paciente dentro do hospital pediu para que eu me afastasse dela, tirasse minha máscara para que ela pudesse me ver, já que com a paramentação só é possível ver os olhos e isso para um paciente consciente é terrível, então eu o fiz. Ela ficou imensamente feliz e me disse essas palavras: você é um fisioterapeuta que inspira muitas pessoas ao seu redor, continue assim… Então pensei num novo meio de realizar as lives; dei o nome de FISIO QUE INSPIRA, para falar com outros fisioterapeutas que me inspiram também”, comenta Tiago.

Nas lives realizadas semanalmente, Amorim convida outros fisioterapeutas com diferentes especialidades para relatar sua vida profissional onde atuam, experiências atuais e diversos assuntos que englobam saúde, pesquisa, inovação, empreendedorismo entre outros.        Ele ainda pretende, em breve, trazer profissionais de outras áreas da saúde para partilhar sua vivência.

Diante disso, o “novo normal” tem deixado marcas na vida das pessoas, e, apesar de momentos difíceis há o que se aproveitar, como fez Tiago, que usou este momento buscar novas alternativas para trabalhar. Ele fala ainda da importância deste momento que estamos vivendo e como afetará o futuro.

“Espero que as pessoas entendam o quão é valioso e precioso é o trabalho que o fisioterapeuta exerce, em todas as áreas de atuação, sem distinção.  Espero que os hábitos de higiene e segurança vire algo de rotina, para a melhor saúde de todos. E que possamos abraçar nossos familiares com todo amor, carinho e esperança de novos tempos”, finaliza.