Na última sexta-feira (26), a Coca-Cola anunciou que irá interromper toda a publicidade digital em plataformas de redes sociais por, pelo menos, um mês, a partir do dia 1º de julho.

A empresa de bebidas não foi a primeira a fazer isso. A Unilever, a rede de cafeterias Starbucks e a Verizon (uma gigante norte-americana de telecomunicações) também disseram recentemente que irão interromper de alguma forma as propagandas na internet – sobretudo no Facebook.

Esse boicote publicitário tem como objetivo protestar contra a falta de ações da plataforma em relação aos discursos de ódio que circulam dentro dela. O principal argumento é que, até agora, os esforços do Facebook para combater a desinformação e as postagens ofensivas, como as que disseminam racismo, foram ineficientes.

Quem iniciou os protestos foi a campanha #StopHateForProfit (algo como “Pare de Dar Lucro ao Ódio”, em inglês), lançada em 17 de junho por diversas organizações não-governamentais, como a Liga Antidifamação, a Color of Change e a NCAAP (sigla em inglês da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor).

O movimentou foi criado após o assassinato de George Floyd por policiais nos EUA, que gerou uma onda de protestos antirracistas pelo mundo. No site oficial da campanha, eles acusam o Facebook de ter sido conivente com as publicações que incitavam violência contra quem participou dessas manifestações.

A #StopHateForProfit chama a atenção também para o descuido da plataforma quando o assunto são as notícias falsas. “Eles chamaram o Breitbart News de ‘fonte confiável de notícias’ e fizeram do The Daily Caller um ‘verificador de fatos’, apesar de ambas as publicações terem registros de trabalho com nacionalistas brancos conhecidos”, diz o manifesto da campanha. O “nacionalismo branco” (White Nationalism) é um movimento que prega a supremacia branca e ideologias segregacionistas.

Além disso, campanha defende que, uma vez que a publicidade representa 98% do faturamento do Facebook (que, em 2019, foi de US$70,7 bilhões), boicotar os anúncios na plataforma é a forma mais eficaz de protesto.

De fato: após a decisão de Coca-Cola, Unilever e cia., as ações do Facebook caíram vertiginosamente. Desde o dia 22 de junho, a companhia de Mark Zuckerberg perdeu US$ 74 bilhões em valor de mercado. A campanha já conta com mais de 160 empresas, como a fabricante de sorvetes Ben&Jerry’s, a marca de roupas The North Face, Honda e Hershey’s. Starbucks e Coca-Cola, apesar de suspenderem as propagandas, disseram que não estavam aderindo oficialmente à campanha.

Vale ressaltar, inclusive, que a interrupção dos anúncios será feita de diferentes formas, de acordo com cada empresa. A Starbucks, por exemplo, vai continuar ativa nas redes sociais: o que irá parar são as publicações pagas – aquelas em que as empresas injetam dinheiro para que o Facebook aumente o alcance. Já a Unilever anunciou que vai reduzir pela metade os anúncios pelo menos até o fim de 2020.

Fonte: Super Interessante