Os caminhoneiros seguem em protesto em pelo menos 24 Estados do País contra a alta do diesel. É o terceiro dia de manifestações que já afetam mais de 200 trechos de rodovias federais.

Em São Paulo, os postos do interior e do Vale do Paraíba começam a ficar sem combustível nas bombas. No Rio, o diesel não chegou às garagens de ônibus e motoristas enfrentaram filas em vários postos. A paralisação também afetou a entrega dos Correios que suspenderam temporariamente as postagens.

Os principais portos do País pelos quais escoa a produção agropecuária brasileira estão sendo atingidos de forma distinta pela paralisação dos caminhoneiros, e o de Paranaguá é, até o momento, o mais prejudicado. “Dois berços do Corredor de Exportação já pararam de operar por desabastecimento. Isso acontece porque o porto deixou de receber 70 mil toneladas diárias de soja que desceriam a serra para abastecer os armazéns locais da retaguarda portuária”, informou a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) ao Estadão/Broadcast Agro nesta quarta-feira, 23. A Appa explica que, como a vazão de embarque dos navios tem uma média diária de 85 mil toneladas nesta época do ano, auge do escoamento da safra, os estoques locais já estão baixos, insuficientes para que novos navios sejam carregados.

A estimativa é de que 1,9 mil caminhões deixam de dar entrada no porto de Paranaguá diariamente por causa da paralisação dos motoristas. Considerando os três dias de protesto, 180 mil toneladas de granéis que seriam exportados não teriam chegado ao terminal, volume suficiente para carregar três navios com grãos.

Como medida de contenção de filas, a administração portuária paranaense parou de liberar novas senhas para que caminhões fizessem descargas no porto, até que as atividades dos caminhoneiros sejam retomadas. Atualmente, o Porto de Paranaguá conta com uma escala de agendamento de quase 2 mil caminhões que descarregam nos terminais todos os dias.

Na Ceagesp, o preço da batata já reflete a greve dos caminhoneiros. Em uma semana, o preço do saco de 50 quilos subiu mais de 150%. Custava R$ 99,50 no atacado na quarta-feira passada e hoje está em R$ 154,5. Desde segunda-feira, a alta foi 35,5%. Nos demais produtos, não é possível ainda identificar aumentos por conta da paralisação, segundo informou o Ceagesp.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifesta “preocupação e indignação” em relação à paralisação de caminhoneiros que está “gerando prejuízos importantes para a indústria e para a sociedade como um todo”. “Espera-se que em um prazo curto seja construído um entendimento para que a situação volte à normalidade”, escreveu a Fiesp.

O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, defende que o governo mude a política de reajuste do diesel com escalonamento de três meses, reduza impostos como o PIS/Cofins sobre o preço do combustível e acabe com a cobrança do pedágio dos caminhões que trafegam vazios.

 

 

Fonte: Estadão