Não muito comentada, a toxoplasmose é uma doença comum no mundo todo e tem sua principal origem nas fezes dos gatos. Sim! Os bichinhos mais dengosos, fofinhos e ariscos que conhecemos. Porém, há também outras formas de contaminação como a ingestão de carnes cruas ou malpassadas.

O controle de zoonoses, como Raiva Leishmaniose, a Esporotricose e a Toxoplasmose são assuntos que devem ser abordados, pois é fundamental atentar-se para outras doenças que também carecem de iniciativas de controle e prevenção.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de gatos em domicílios brasileiros foi estimada em 22,1 milhões, o que representa aproximadamente 1,9 gato por domicílio que tem o animal. Os tutores estão cada vez mais optando por animais de companhia e, nesse cenário, a toxoplasmose pode se tornar uma ameaça aos animais e humanos, apesar de não ser contagiosa entre pessoas.

Além disso, a toxoplasmose tem relação direta com gestantes. A zoonose consiste em um grave problema à saúde pública por acometer essas mulheres e os imunossuprimidos.

Bruno Prates é Médico Veterinário Sanitarista, atuante na área de Saúde Pública e Controle de Zoonoses há pelo menos dez anos, tem conhecimento há cerca do assunto e explica como essa doença pode ser prejudicial aos humanos e explica a sua grave relação com as gestantes.

“Os gatos por serem o ponto-chave da epidemiologia, sendo os únicos hospedeiros definitivos do parasita e transmissores de forma sexuada acabam gerando dúvidas quando há uma gestante que cria o animalExiste uma grande preocupação com o fato das gestantes transmitirem toxoplasmose para o feto, pois o parasita infecta a placenta e, posteriormente, a criança pode apresentar lesões graves e severas como hidrocefalia, calcificações cerebrais, retinocoroidite e desordens convulsivas. ”

O Médico vive essa realidade há espera do seu primeiro filho. Ele e sua esposa Tamires Cecília Prates são donos de oito gatos e estão buscando os cuidados necessários.

IMG-20201017-WA00212-1024x663 Dr. Bruno Prates explica a relação entre toxoplasmose e a mulher gestante

PREVENÇÃO DA TOXOPLASMOSE

Na grande maioria dos casos, a doença é adquirida por via oral, isto é, pela ingestão de carnes cruas ou malpassadas de hospedeiros intermediários que contêm cistos do parasita, ou pelo consumo de água, frutas e verduras cruas que abriguem oocistos do Toxoplasma gondii. Também pelo consumo de leite cru, não pasteurizado, com presença de taquizoítos (uma outra forma do parasito) também consiste em uma fonte possível de infecção.

Dr. Bruno Prates explica que o contágio por alimentos pode ser evitado com cuidado com cuidados básicos de higiene, como a limpeza de mãos e utensílios ao manusear carne crua, como também não ingerir esses alimentos sem o tempo ideal de cozimento. A lavagem correta de verduras e legumes também é necessária.

Em casos de gestantes que possuem contato com gatos o assunto deve ser levado a sério, como explica o profissional.

“As mulheres se perguntam: estou grávida. Tenho que me desfazer do meu gato? A resposta é não! Você não precisa se desfazer de seu gato se estiver grávida. Basta manter bons hábitos de higiene. Entretanto, a presença do felino em um ambiente com uma mulher gestante não é fator principal para que ela adquira a toxoplasmose, nem é necessário que ela se afaste dos animais.”

Ele esclarece que mulheres gestantes devem evitar fazer a remoção das fezes do gato, contudo, caso esse procedimento seja realizado, ele deve ser efetuado sempre com uso de luvas. Esse método serve para felinos que tem acesso à rua, sempre lembrando que os felinos não devem ser alimentados com carne crua, vísceras ou ossos, mas, sim, com rações ou outros alimentos cozidos, indicados para cada espécie.

E vale salientar que este fato não deve ser motivo para que seus donos abandonem os animais e sim que cuidem mais de si e dos animais.

Segundo Bruno, “O estudo “Árvore de Valor”, realizado pela Comissão de Animais de Companhia (COMAC), indica que os tutores levam os animais ao Médico Veterinário em uma média de duas vezes ao ano e, na maioria das vezes, quando o animal tem algum problema. Esse dado demonstra a necessidade de que os médicos veterinários ressaltem a importância da realização de visitas preventivas para avaliação dos animais. ”

Nesse sentido o cuidado tanto com a alimentação, hábitos dos animais e frequência no veterinário devem ser colocados em prática para evitar problemas.