Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo. Vamos falar sobre a doença, a forma como ela afeta o nosso DNA e a normalização do álcool, principalmente no meio jovem e adolescente. O Evidenciador buscou informações em diversos sites, justamente para que você fique por dentro de tudo e consiga ajudar quem precisa.

A dificuldade 

Nós entendemos que não é fácil conviver com pessoas que sofrem com a doença do alcoolismo. Ainda mais se ela for seu pai, sua mãe, ou algum amigo muito próximo. Presenciamos crises, comportamentos autodestrutivos e até agressivos. É difícil de ver, de aceitar. Porém, essas pessoas precisam de alguém que as apoie e as encoraje a mudar de vida, já que qualquer tipo de vício não faz bem. Mas antes disso, vamos entender como o álcool afeta o nosso corpo.

Como o álcool afeta o nosso DNA

Segundo um estudo publicado por pesquisadores da Universidade Rutgers (EUA), consumir álcool em grandes quantidades pode sim causar modificações no DNA das pessoas, fazendo com que elas tenham ainda mais vontade de beber. Os cientistas examinaram os genes de quem consome álcool moderadamente, de quem consome excessivamente (que bebem constantemente) e dos “binge drinkers” – aqueles que bebem muito em um curto espaço de tempo.

No final do estudo, foi concluído que os dois últimos grupos mencionados acima (consumidores excessivos e os “binge drinkers”) sofreram mudanças em dois genes sob influência do álcool, através de um processo chamado de metilação. O que são essas mudanças? Elas acontecem no relógio biológico do corpo, no sistema de resposta ao estresse e na vulnerabilidade ao próprio álcool. Ou seja, pessoas estressadas passam a buscar a bebida muito mais. Quanto mais você bebe, mais vontade você tem de continuar bebendo.

Sabe aquele papo de que quando não é acostumado a beber, daí decide encher a cara e dizem que o álcool “sobe” mais rápido? Drauzio Varella explica: “Em pessoas que não costumam beber, níveis sanguíneos de 50mg/dl a 150 mg/dl são suficientes para provocar sintomas. Esses, por sua vez, dependem diretamente da velocidade com a qual a droga é consumida, e são mais comuns quando a concentração de álcool está aumentando no sangue do que quando está caindo.”

A normalização do álcool

Em entrevista para a Folha de Campo Largo, a psicóloga Éllen Martins fala sobre a normalização do álcool, principalmente entre jovens e adolescentes. Pode parecer que não, mas aquela fotinha que você posta nas redes sociais “Bebendo com os amigos” pode sim influenciar pessoas.

“É uma normalização, tentam mostrar que tudo aqui­lo é bom, é comum e que faz bem, quando na verdade não é. É muito semelhante ao que acontecia durante os filmes mais antigos com relação ao cigarro. Fumar era bonito, era status social e depois foi descoberto que era extremamente prejudicial à saúde. Hoje, quando tentamos expor um pro­blema nas redes sociais tudo é visto como ‘mimimi’, ‘textão’, problematização exagerada, porém é tudo na intenção de conscientizar, especialmente em casos que envolve a saú­de das pessoas. As bebidas alcoólicas já foram protagonis­tas de vários desfechos trágicos de casamentos, famílias e causa de acidentes, não podemos tratar isso como algo normal”, diz a psicóloga.

Éllen também enfatiza que na época de descobertas da adolescência podem ocorrer muito mais chances de se deparar com o consumo de bebida alcoólica:

“A fase da adolescência é aquela que eles saem do convívio social apenas no seio fa­miliar e são introduzidos a outras realidades, contato com outras pessoas de culturas diferentes e muitas vezes pre­cisam se sentir aceitos. Quando há essa necessidade de aceitação, o adolescente – principalmente – pode dizer e fa­zer coisas que se estivesse com a família não faria ou que ele não quer fazer, isso inclui beber álcool e usar drogas. Ele é altamente influenciável e quer ser tão ‘independente’ quanto o seu amigo”.

Sobre o que fazer caso conheça alguém que sofre com o alcoolismo:

“É importante sempre tentar conversar com a pessoa, caso ela crie resistência em buscar ajuda, tentar levar ela a um médico, pode ser um clínico geral mesmo de início, que irá ajudar no diagnóstico. Hoje existem várias clínicas e pro­fissionais que podem ajudar na recuperação dessa pessoa, tanto no particular, como no SUS. O primeiro passo é que­rer ajuda”, orienta.

Pesquisa: BBC; Folha de Campo Largo e Doutor Drauzio Varella.