Os números de casos do Coronavírus no Brasil levaram à suspensão de aulas da rede pública e privada de todo o país. A medida serve para evitar aglomerações e deslocamentos que são os principais causadores da transmissão comunitária.                                                                              

Em Osvaldo Cruz, o sistema de ensino a distância foi colocado em prática nas últimas semanas.

Solange Baldim, diretora do Colégio Cooperativo, está enfrentando esses desafios e teve que se inovar para atender a nova demanda de ensino. Ela conta que por não ter o hábito do EAD na escola, o desafio tem sido sair da zona de conforto. Com dois dias para se organizar e promover as aulas, Solange aponta que “alinhar a ação de professores, pais e estudantes para que todos tivessem as mesmas orientações, informações e não houvesse ruídos de comunicação, ou seja, interpretações desencontradas, foi desafiador.”

Para os professores, mesmo com o uso da tecnologia frequente no dia a dia, eles ainda sentem insegurança em relação às plataformas por nem todos possuírem essas habilidades. Eles relatam que “o desafio está sendo a falta do contato presencial entre professor e aluno, o que acaba comprometendo a interação e a experimentação, pois não têm certeza de que todos entenderam da mesma forma.”

Entretanto, esses desafios os incentivam a buscar melhorias e se adaptar e, para isso, o planejamento das aulas busca utilizar todos os recursos disponíveis, como Câmeras para live e aplicativos gratuitos com abordagens inovadoras que sejam capazes de sanar as dificuldades apresentadas pelo conteúdo que o aluno possa ter, facilitando assim o ensino-aprendizagem.

WhatsApp-Image-2020-03-30-at-16.35.50-2 Educação a distância e coronavírus: os desafios e a adaptação de alunos e professores

Neste momento, a peça crucial para o sucesso do ensino à distância são os pais. O comprometimento do filho depende, consequentemente, da imposição dos pais para o cumprimento de horários e frequência.                                                                                            

A diretora do Colégio Cooperativo conta que o processo de instrução aos pais de como agir para manter a rotina foi seguindo um trabalho da escola que preza pela dialogicidade.

“Há um clima de confiança em relação ao nosso trabalho e isso contribuiu muito nesse momento. O que fizemos para alinhar as ações nesse período de paralisação foi primeiro manter a calma e planejar as ações que adotaríamos. Não é fácil chegar e dizer – “Amanhã não tem mais aula”. Então, enviamos aos pais um informativo, através de e-mail, sobre as ações da escola, passamos orientações aos alunos para que soubessem como desenvolver as atividades e os alertamos da importância de manter uma rotina de estudos e, para que isso fosse possível, as aulas aconteceram seguindo o mesmo horário da escola presencial” explica a diretora.

Quanto às metodologias das aulas e atividades, essas ficaram a critério dos professores que, com criatividade e competência estão realizando o trabalhando e surpreendendo  toda a gestão, como afirma Solange.

O papel dos pais e adaptação dos alunos

Marli de Souza Pazotto, mãe da Maria Eduarda, conta que, em casa, estão se organizando para manter o ritmo normal do dia a dia.

“Todos os dias, das 7h10 às 12h30, ela assiste as aulas via redes sociais, através de áudios, mensagens escritas, videoaulas, realizando atividades no caderno, apostila e plataforma Class Room, enviando as atividades aos professores para devida correção.”

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Os pais e responsáveis neste período terão muitos desafios a enfrentar, como manter o engajamento do filho no aprendizado e suprir a falta de contato social que havia na escola. Assim, é impossível deixar com que o acompanhamento de perto e o papel de educador não seja feito.

Maria Eduarda se adaptou bem, como conta sua mãe:

“Minha filha se adaptou muitíssimo bem a essa nova realidade, me surpreendendo. Pontualmente, todos os dias, se posiciona em frente ao computador as 07h10 para assistir as aulas. Ela tem apresentado uma boa aprendizagem com esta modalidade de ensino e está gostando muito dessa nova forma de aprender.”

A menina que tem 11 anos, diz sentir saudade dos colegas, mas está gostando de estudar assim “com esse tipo de aula estou tendo mais facilidade para aprender e estou cansando menos porque o tempo passa mais rápido. Então estou gostando muito apesar de estar sentindo falta de meus colegas, amigos e dos professores.”

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Solange, por fim, faz um alerta para os pais para que tenham paciência perante a situação que todos se encontram:

“Como sabemos que é muito difícil manter as crianças e adolescentes sem vida social, nossa intenção foi ajudá-los a usar o tempo a favor da aprendizagem e pedimos para que os pais tenham paciência com seus filhos, pois trata-se de um momento difícil para todos, especialmente para eles.”