Estudantes do Centro Universitário de Adamantina – UniFAI, Bruno Cesar Doretto Marcorini, de 20 anos e Maria Eduarda Vilela Rodrigues, de 21 anos estão começando agora suas carreiras. Ele, cursando o 6º termo de odontologia e ela, o 7º termo de medicina. Os dois embarcaram neste ano para viver uma experiencia única e marcante no exercício pratico da futura profissão.

Em julho deste ano, Bruno e Maria Eduarda deixaram suas casas e foram para uma missão junto com a ONG Doutores Sem Fronteiras. O destino foi  comunidades  na região de fronteira no Vale do Guaporé, ao longo de trechos do Rio Mamoré, fronteira com a Bolívia.

Os estudantes tiveram todo o apoio da UniFAI que prestou auxilio referente às taxas da ONG e nas passagens aéreas de Presidente Prudente a Porto Velho (RO), cidade base da operação, onde se uniram os demais grupos para partir em expedição. Além disso, a FAI ajudou os estudantes na elaboração de documentário sobre as atividades realizadas.

Os caminhos para chegar ao “Doutores Sem Fronteiras” não é fácil. O processo é rigoroso, somente estudantes extremamente dedicados e comprometidos conseguem ingressar na ONG. Adamantina tem dois representantes locais inseridos em um projeto internacional e isso fez com que a cidade fosse reconhecida por dois anos seguidos.

Esta foi a segunda expedição de Bruno e a primeira expedição de Maria Eduarda. Ele esteve na Amazônia Central no ano passado, retornando agora à região fronteira. Porém, os dois são pioneiros, em duas situações: Bruno foi o primeiro estudante do oeste paulista a participar da expedição, em 2017, e Maria Eduarda a primeira estudante de medicina a integrar o grupo.

Bruno Estudantes da UniFAI prestam atendimentos na Amazônia
Bruno, 20 anos, estudante de odontologia na UniFAI. (Imagem: Arquivo Pessoal)

Bruno conheceu a ONG em 2016, participando do processo seletivo e em julho de 2017 partiu para a missão de intercambista, na qual atuou durante 30 dias na Amazônia Central. Assim que retornou, iniciou um preparo para a nova oportunidade e agora em 2018, na condição de ativista ficou 40 dias longe de casa, passando pelo Vale do Mamoré Guaporé, terras indígenas Sete de Setembro e Uru e wau wau, além das comunidades Ribeirinhas Baixo Madeira (RO).

Ele explica que neste ano as ações se estruturaram em três etapas, em novos roteiros bem como retornando a localidades onde estiveram em 2017. Nessa recente viagem, segundo Bruno, uma experiência marcante foi conhecer as aldeias Indígenas na região de Fronteira no Vale do Guaporé, localidade de difícil acesso.

“Navegamos por 15 dias, não só levando tratamentos especializados, mas também esperança, atenção, amor, devolvendo a eles a autoestima, através da odontologia”, disse.

Já Maria Eduarda, se tornou a primeira estudante de medicina a integrar o grupo.

“Eu sempre tive a vontade de participar de um projeto voluntário como este, mas parecia distante da minha realidade”, disse.

Ela revelou que já havia feito contato com alguns projetos, mas nunca deu certo. Uma colega teve contato com uma postagem do estudante Bruno Macorini e como eles estudam no mesmo campus, isso facilitou a aproximação. Bruno forneceu as orientações iniciais, Maria Eduarda fez contato com a ONG e logo já participou de uma reunião em São Paulo, seguida de outros encontros, até ser admitida no processo seletivo e viajar na expedição. Selecionada, Maria Eduarda passou a integrar o grupo e vivenciou sua primeira expedição.

 “Foi uma experiência incrível, diferente e encantadora. Essa primeira etapa sem dúvidas ficará guardada em minha memória e com um carinho especial, porque além de ter sido o primeiro contato, fui presenteada com paisagens maravilhosas, conheci pessoas encantadoras, histórias inspiradoras e uma cultura riquíssima, sem falar na alegria contagiante e a energia espetacular que cada paciente e cada profissional transmitiam”, conta. “Era prazeroso cada esforço e correria, porque a equipe estava muito unida e percebia-se que estávamos ali todos com o mesmo objetivo, com muita entrega e amor por cada comunidade visitada”, destaca.

Maria-Eduarda Estudantes da UniFAI prestam atendimentos na Amazônia
Maria Eduarda, 21 anos, estudante de medicina na UniFAI. (Imagem: Arquivo Pessoal)

Maria Eduarda destaca ainda como diferenciais marcantes a riqueza cultural, a forma leve, apaixonante e verdadeira da população indígena, o valor dado à família, a garra da população ribeirinha – em espacial do Lago Cuniã – e a valorização e o respeito que os indígenas têm com a natureza.

A estudante diz que na circulação da expedição pelo região é possível observar diferentes realidades e mesma recepção aberta e acolhedora pelos moradores.

“Cada etapa possuía um perfil diferente. Em algumas comunidades o que mais chamou atenção foi a carência da população e o abandono. Já em outras, acesso difícil e isso faz com que a assistência à saúde daquela população seja falha e precária”, disse.

A estudante de medicina ressalta também a importância da integração e diálogo multiprofissional, para a atuação em saúde. De acordo com ela, a expedição a ensinou sobre o verdadeiro significado de trabalho em equipe e isso ela levará para o resto da vida.

“A medicina não é nada sem as outras áreas. Todos precisamos de um auxílio e quando a equipe é multidisciplinar o benefício ao paciente é muito superior”, comemora.

Para ela, o médico precisa ser muito mais que um bom profissional.

“Ele precisa ter ética, misericórdia, compaixão, ter empatia, ser solidário, saber escutar, saber trabalhar em equipe, respeito e saber o seu limite e o limite da profissão. E claro ele precisa amar o ser humano e amar a sua profissão”, finaliza

 

 

 

Fonte: SigaMais